Teatro CNEC
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ENTREVISTA COM O HUMORISTA CARIOCA

POR ADMINISTRADOR CNEC EM 04/07/2016 ÀS 09:57

Entrevista com o humorista Carioca

No dia 11 de junho o Teatro CNEC Joinville recebeu a peça 'Saudando a Mandioca' com o humorista Márvio Lucio. O artista é conhecido por interpretar o personagem 'Carioca' do programa Pânico.

Isabelle Gomes, aluna do Colégio Cenecista José Elias Moreira, não perdeu a oportunidade para conhecer Márvio de perto. Além de assistir à apresentação da plateia VIP, a jovem realizou uma entrevista com o humorista para um projeto extracurricular do qual faz parte.

Confira a entrevista na íntegra.


O seu nome é Márvio Lucio, certo? Da onde surgiu o apelido “Carioca” já que você não nasceu na cidade do Rio de Janeiro?

Eu sou fluminense (nascido em Niterói), mas geralmente o paulista não sabe distinguir. Para eles, qualquer um nascido no estado do Rio de Janeiro é carioca. O apelido surgiu no Pânico (rádio) em 1998. É engraçado porque quando eu vou para o Rio, todos me chamam de Márvio, mas em São Paulo, pessoas muito próximas de mim, por exemplo, meu sogro e minha sogra, me chamam de Carioca.

 

Em que momento você decidiu que iria ser humorista? Foi uma escolha ou foi acontecendo?

Tudo foi meio que conspirando a favor, mas quando criança, eu era o tipo de moleque que ganhava tudo de graça por causa das imitações. Eu chegava da escola, ia até o bar que ficava perto de casa e contava as fofocas da vizinhança com a voz do Silvio Santos. Minha irmã me vestia de mulher e eu fazia show para as amigas da minha avó e assim eu ganhava uma graninha para comprar o lanche no recreio da escola. Até que o pai de um amigo meu, que era radialista, me falou que eu tinha que ir para a rádio. Ele me deu um cartão, eu comecei a fazer um curso e, aos dezesseis anos, comecei na rádio.


Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou dentro da carreira artística?

O teatro. Ainda estou aprendendo. Eu tenho vinte anos de carreira e ainda não completei nem um ano de teatro. Todos os humoristas, sem exceção, Eri Johnson, Danilo Gentili, Marcelo Serrado, Leandro Hassum, me falavam para fazer teatro, que eu precisava desse contato com o público e eu dizia que “eu não era pra isso”. E preciso dizer que eu estou amando, para mim está sendo uma novidade e acho que as pessoas estão gostando também.


Sua vida, de certa forma, tem uma exposição pública. Como você lida com as opiniões e críticas populares do dia a dia?

Eu penso que o artista que não quer ter a vida exposta não começa a ser artista. As pessoas podem falar o que quiserem, isso faz parte do ofício porque o público não quer saber só do trabalho no palco. Se as pessoas gostam de você, elas vão querer saber sempre um pouco mais. O artista tem que aprender a conviver com isso. Eu nunca nego e também não me incomodo de tirar fotos, sei que faz parte do meu trabalho. Eu me coloco no lugar, então nunca deixo de atender e conversar. Eu gosto desse contato.


Suas imitações são sempre muito boas. Você escolhe, vamos dizer, os “alvos” conforme o que está em alta ou você simplesmente vê alguém que se expressa de um jeito peculiar e se interessa em imitar tal pessoa?

Eu não sei explicar ao certo. Eu vejo alguém que fala de um jeito engraçado, dou uma escaneada e quando vejo já estou imitando. Eu classifico isso como uma síndrome do mal (risos).


Sobre a sua peça e sobre a atual situação do nosso país... Como surgiu a ideia da “Dilma Ducheff”?

Surgiu em 2010, quando eu estava na Bahia a trabalho. Era carnaval e a Dilma, que estava em campanha na época, apareceu na televisão local dizendo que estava ali para dançar o “rebolation”. Então eu gravei a figura dela, coloquei o clipe da música e fiquei dançando. Nós até fizemos a campanha “Dilma dança o rebolation” no Pânico e a partir daí tudo foi se desenvolvendo.


A Dilma já se manifestou com relação a sua peça?

Ela nunca chegou a se manifestar, mas eu a encontrei umas três vezes. A primeira foi antes de ela ser eleita, no início da campanha, ela foi super receptiva, eu estava vestido de Dilma e ela até chegou a colocar a mão na cabeça (parte da coreografia do “rebolation”). Todas as outras vezes ela mandou me bater. Ela não quer que chegue perto dela e eu chego porque sou teimoso, daí ela manda os seguranças para cima de mim.


Nós sabemos que a mídia influencia a vida de várias pessoas, você acha que está induzindo os telespectadores a terem certo tipo de opinião?

Sempre vai acontecer e o mais louco é que, na mídia, tem muita gente de esquerda, então tudo acaba ficando muito confuso. Mas discutir política é muito bom, é um exercício. Nós temos que aprender. Estamos tendo o primeiro contato na questão de saber o que realmente está acontecendo, quem são os políticos, já que muitas vezes as pessoas não sabem nem quem são os seus representantes. É aquela história: Quem não dá assistência, perde para a concorrência. Então é muito importante saber quem é quem e que exista punição para que sirva de exemplo aos outros, que entrem lá para serem sérios, ajudar as pessoas e não para roubar.


Em sua opinião, o que falta na nova geração para evitar possíveis crises futuras como a que estamos passando agora?

Eu penso que o melhor que existe são os jovens. Todos os movimentos, todas as mudanças que ocorrem no mundo começam por eles. Os jovens precisam se politizar, mas não na questão de seguir um diretório de partido. A esquerda partidária ocupa as faculdades, os professores e manipulam opiniões, daí o surgimento dos Black Blocs, é um trabalho já feito dentro da sala de aula. Não estou generalizando, mas isso é uma tática das esquerdas partidárias – ocuparem as escolas, as faculdades e os jovens que estão com a mente fresca, cheia de ideais. A formação de opinião tem que partir do jovem, não do professor.


Por Isabelle Gomes



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